Bebê nasce de útero de doadora falecida e médicos falam sobre avanço no procedimento

O caso é o segundo do mundo e o primeiro nos Estados Unidos

A menina nasceu por uma cesárea (Foto: Reprodução/ Cleveland Clinic)

Pela primeira vez nos Estados Unidos, uma bebê nasceu de um útero transplantado de uma doadora falecida. A Cleveland Clinic, foi responsável pelo procedimento bem sucedido que resultou em uma menina filha de uma mulher de 30 anos.

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“Por meio desta pesquisa, pretendemos tornar esses eventos extraordinários comuns para as mulheres que escolhem essa opção “, disse o cirurgião do transplante Andreas Tzakis em um comunicado no site do hospital. “Somos gratos ao doador. Sua generosidade permitiu que o sonho de nosso paciente se realizasse e que um novo bebê nascesse”. A especialista em medicina materna fetal, Uma Perni, comentou estar muito feliz com o desenvolvimento da medicina. “É importante lembrar que isso ainda é pesquisa. Os transplantes de útero estão evoluindo rapidamente, e é emocionante ver que as opções para as mulheres aumentam conforme o tempo”.

A menina nasceu por uma cesárea (Foto: Reprodução/ Cleveland Clinic)

O transplante e o nascimento dos bebês fazem parte de um estudo que procura oferecer esperança às mulheres que não podem ter filhos por causa da infertilidade uterina. Há uma estimativa de que 1 em cada 500 mulheres em idade fértil são afetadas por essa condição. Os transplantes de úteros permitiram que mais de uma dúzia de mulheres pudessem realizar o sonho de ser mãe.

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A menina nasceu no dia 9 de julho e é muito saudável! Outras mulheres que também participaram do estudo já foram transplantadas e estão esperando a transferência dos embriões. Apesar desse ser o primeiro caso nos Estados Unidos, o Brasil já tinha realizado o procedimento inovador.

Em dezembro de 2017, médicos brasileiros relataram o primeiros nascimento do mundo usando o útero de uma doadora falecida no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo)

O caso no Brasil

*Os nomes são fictícios a pedido da família

Um problema congênito impedia que Claudia realizasse o sonho de ser mãe: ela nasceu sem útero. Porém, a proeza de pesquisadores brasileiros permitiu que isso acontecesse.

Realizado pelo Hospital das Clínicas, Claudia foi submetida a um transplante de útero vindo de uma doadora falecida. Em outras partes do mundo, antes de Claudia, outros bebês já tinham nascido após uma gestação em úteros transplantados. O primeiro caso foi na Suécia, em 2013. Porém, todos os úteros foram doados por mulheres vivas.

Contudo, o transplante de um doador falecido é muito mais complexo. Aqui no Brasil, o órgão ficou sem receber oxigênio por 7 horas e 50 minutos. Quando o transplante é de alguém que está vivo, o tempo de transferência é de 3 horas, no máximo.

médico que liderou a pesquisa, Dani Ejzenberg, do centro de reprodução humana da USP, disse que quando é usado um doador que já faleceu, não há risco de procedimento e o custo é menor. Porém, não é possível programar quando o órgão estará disponível. “Isso pode ocorrer num lugar diferente de onde está o receptor, então é preciso ter um esquema de comunicação, de captação. O tempo é maior. Mas podemos favorecer muito mais pessoas”, ele explica em entrevista à IstoÉ.

Conforme uma pesquisa feita no Hospital das Clínicas, é estimado de que 1 em cada 4 mil mulheres nasce sem o útero. Em São Paulo, se considerarmos as mulheres que estão em idade reprodutiva, cerca de 1.500 podem estar nessa condição.

A paciente passou por um processo de fertilização in vitro e, 7 meses depois do transplante, o embrião foi transferido para o útero. Para diminuir o risco de trombose, a ligação do órgão foi feita com duas artérias e quatro veias, melhorando o fluxo de sangue.

gestação ocorreu normalmente e Gisele, filha de Claudia, nasceu completamente saudável: “Ela já está com quase 1 ano e está com desenvolvimento normal”, conta o médico. Depois do nascimento de Gisele, o útero foi retirado para que Claudia não precisasse tomar imunossupressores, medicamentos usados para evitar a rejeição do órgão transplantado.

Dani Ejzenberg afirma que se forem somados os casos de mulheres que precisaram retirar o útero por conta de um câncer ou, por exemplo, em uma cirurgia por mioma, é possível que elas se beneficiem com essa técnica.

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